sexta-feira, 17 de março de 2017

Pessoas cujos ancestrais viviam em clima quente e úmido têm tendência a ter nariz maior. 

 

 A forma e o tamanho do nariz evoluíram para se adaptar aos diferentes tipos de clima na Terra, revela um estudo publicado nesta quinta-feira (17) pela revista científica americana "PLOS Genetics".

O estudo reforça conclusões precedentes de outros trabalhos que apontaram que as pessoas cujos ancestrais viviam em um clima quente e úmido têm tendência a apresentar um nariz maior do que o de descendentes de populações de regiões frias e secas.
Segundo os pesquisadores, um nariz mais estreito permite ampliar a umidade do ar ao aquecê-lo, o que é bom nas regiões mais frias e secas.
O ar frio e seco não é bom para as vias respiratórias, destaca Arslan Zaidi, do departamento de Antropologia da Universidade Estadual da Pensilvânia.
"Não há um formato de nariz universalmente melhor. A realidade é que nossos ancestrais eram moldados pelo ambiente".
A equipe científica internacional usou imagens em 3D para medir a forma do nariz de 476 voluntários cujos ancestrais viveram no sul e no leste asiático, na África ocidental e no norte da Europa.
Os pesquisadores destacam que a história da evolução do nariz é complexa e envolve outros fatores, inclusive preferências culturais na escolha do parceiro sexual, que pode ter desempenhado um papel.
Examinar esta evolução e como as fossas nasais se adaptaram ao clima pode ter repercussões médicas e antropológicas.
"Os estudos sobre a adaptação humana ao meio ambiente são essenciais para nossa compreensão das doenças e poderão esclarecer as origens de certas patologias, como a anemia por células falciformes, a alergia à lactose ou o câncer de pele, mais frequentes em certas populações".
O aprofundamento da questão pode revelar se a forma e o tamanho da cavidade nasal estão ligados ao risco de se contrair uma doença respiratória quando a pessoa vive em um clima diferente de seus ancestrais.

 Fonte: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/clima-na-terra-influenciou-formato-do-nariz-segundo-estudo.ghtml

domingo, 12 de março de 2017

As células retiradas de Henrietta Lacks antes de sua morte por câncer se reproduzem indefinidamente em laboratório.

O ano de 1951 marcou o início de um grande avanço para a biotecnologia. Tudo começou com a chegada de uma afroamericana pobre a um hospital nos Estados Unidos. As células dela revolucionariam a ciência médica.
Henrietta Lacks teve câncer no colo do útero pouco antes de morrer, e um médico retirou um pedaço de tecido para uma biópsia, sem pedir autorização, já que na época ainda não havia legislação específica sobre o assunto. Desde então, as células retiradas do corpo dela vem crescendo e se multiplicando e há bilhões delas em laboratórios do mundo todo sendo usadas por cientistas, que as batizaram de linha celular HeLa, numa referência ao nome de Henrietta.
"Não dá para saber quantas células de Henrietta ainda circulam. Um pesquisador estima que juntas pesariam 50 milhões de toneladas métricas, algo inconcebível, porque cada uma pesa quase nada", disse Rebecca Skloot, autora do livro "A Vida Imortal de Henrietta Lacks".
Como a retirada foi feita sem autorização, os familiares dela - ainda vivos - precisaram lutar por muitos anos por seus direitos, e chegaram a acionar a justiça por uma compensação financeira, já que a distribuição das células de Henrietta é comercializada a altos valores. No mês passado, o filho mais velho, Lawrence, afirmou que os parentes devem fazer uma nova tentativa de processar o centro John Hopkins, onde o procedimento foi feito, ainda neste ano.

História

Em 1860, o proprietário de uma plantação na Virgínia chamado Benjamin Lacks escolheu uma amante negra entre os seus trabalhadores e teve com ela dois filhos. Eles levaram seu nome e por três gerações da família Lacks trabalhou no campo.
Em 1942, Henrietta Lacks decidiu se mudar para a cidade, por isso, seu marido - bisneto de Benjamin - a levou para Baltimore: em tempos de guerra não havia trabalho.
A 10 km de onde morava Henrietta ficava o laboratório do Dr. George Gey, cuja ambição era livrar o mundo do câncer. Ele estava convencido de que iria encontrar a chave para a cura nas próprias células humanas.
Por 30 anos, ele vinha tentando cultivar células cancerosas em laboratório. Para isso, misturava tecidos cancerosos com sangue de corações de galinhas vivas, esperando que estas células doentes vivessem e se reproduzissem fora do corpo para que ele pudesse estuda-las. Mas elas sempre morriam.
Até que no dia 1º de fevreiro de 1951, Henrietta Lacks foi levada ao hospital John Hopkins.
"Eu nunca vi nada assim, nem nunca voltei a ver", disse o ginecologista que a examinou, Howard Jones , à BBC em 1997.
"Era algo muito diferente e especial, que se revelou um tipo de tumor."
"A história dele era simples: ele sangrava entre as menstruações, tinha dores abdominais, o que não é necessariamente um sinal de câncer", diz o médico.
"Quando examinei o colo do útero, fiquei surpreendido porque não era um tumor normal. Era roxo e sangrava facilmente quando tocado."
O tumor não respondeu bem ao tratamento e Henrietta Lacks morreu de câncer cervical em outubro de 1951, quando tinha apenas 31 anos.
Sua família a enterrou perto das ruínas da casa onde ele nasceu. E a ciência a esqueceu.

Células imortais

As células do tumor que foram retiradas do corpo de Henrietta foram mantidas na unidade hospitalar de câncer do hospital pois Gey havia descoberto que elas podiam ser cultivadas indefinidamente no laboratório.
Era o que ele tinha procurado por tantos anos e até batizou a sequência celular como linha de células HeLa, pelas duas iniciais e sobrenome de Henrietta Lacks.
"Em poucas horas, HeLa é multiplicada prolificamente", diz John Burn, professor de Genética na Universidade de Newcastle, Reino Unido.
De fato, as células de Henrietta reproduziam uma geração inteira em 24 horas, e nunca deixaram de fazê-lo. Elas foram as primeiras células humanas imortais cultivadas em laboratório.
Na verdade, elas já viveram mais tempo fora do que dentro do corpo de Henrietta.

Por que são tão importantes?

"Há muitas situações em que precisamos estudar tecidos ou patógenos no laboratório", diz Burn.
"O exemplo clássico é a vacina contra a poliomielite. Para desenvolvê-la, era necessário que o vírus crescesse em células de laboratório e para isso eram necessárias células humanas".
As células HeLa acabaram sendo perfeitas para esse experimento e as vacinas salvaram milhões de pessoas, fazendo com que essa linha celular ficasse mundialmente conhecida. Era a primeira vez que qualquer coisa poderia ser testada em células humanas vivas.
Elas não somente permitiram o desenvolvimento de uma vacina contra a poliomielite e inúmeros tratamentos médicos, mas foram levadas nas primeiras missões espaciais e ajudaram os cientistas a prever o que aconteceria com o tecido humano em situações de zero gravidade.
Além disso, os militares dos EUA colocavam grandes garrafas com células HeLa em lugares que em que eram realizados experimentos atômicos.
Elas também foram as primeiras a serem compradas, vendidas, embaladas e enviadas para milhões de laboratórios em todo o mundo - alguns deles dedicados a experiências com cosméticos, para avaliar os eventuais efeitos colaterais indesejados dos produtos.
Resumindo, além da contribuição científica, muitos ganharam bilhões de dólares em produtos que foram testados em células HeLa.
E tudo foi feito sem o conhecimento e consentimento da família de Henrietta Lacks.
"Nos anos 40 e 50, os tumores e tecidos retirados em um procedimento médico eram considerados como "abandonados" e por isso não estava claro que seria necessário pedir permissão para usá-los em investigações que iriam além do tratamento do paciente.

Família

Foi somente em 1973 que a família de Lacks soube pela primeira vez que as células de Henrietta ainda estavam vivas.
Uma equipe de geneticistas procurou os familiares para realizar um exame DNA após a suspeita de uma teoria de que a cura do câncer poderia estar na manipulação dos genes.
Eles encontraram o marido de Henrietta e seus quatro filhos, que ainda viviam em Baltimore.
O encontro foi um verdadeiro "choque de culturas", como classificou e descreveu Rebecca Skloot quando publicou no livro sobre a história de Henrietta.
"Um dia, um pesquisador de pós-doutorado chamou o marido de Henrietta, que não tinha terminado a escola e não sabia o que uma célula e disse a ele: temos sua esposa, está viva em um laboratório e a utilizamos na pesquisa científica há 25 anos. Agora eu quero examinar seus filhos para ver se eles têm câncer", resumiu ela.
"Eles tiraram amostras de sangue de todos os filhos de minha mãe e disseram que queriam ver se o que ela tinha era hereditário", disse David Lacks Jr. à BBC em 1997.
Bobbette Lacks, filha de Henrietta, ficou chocada: "Eu disse, 'estão trabalhando com células da minha mãe?". E ele respondeu: "sim, as células ainda estão vivas" Fiquei com a boca aberta e ele me disse que já trabalhava com elas há anos".
Enquanto isso, as células HeLa eram vendidas em quantidades enormes e por milhões.
"Os cientistas disseram que os capitalistas: 'nós temos uma tecnologia que nos permitirá curar o câncer'. Era mais do que uma esperança, era uma crença, e que favoreceu a indústria da biotecnologia ", disse Kirk Raab, presidente da Genentech de 1985 e 1995.
"Se fosse capaz de vencer o câncer, seria o maior mercado do mundo. De repente, houve uma oportunidade de fazer um monte de dinheiro", afirmou.
Quando a família Lacks percebeu o que eles estavam fazendo com as células de sua mãe, dediciram consultar advogados para ver se eles tinham direito a receber dinheiro da indústria de biotecnologia.
"Eu pesquisei e descobri que as células tinham sido vendido por todos os lugares e queria saber quem havia enriquecido com as células da minha mãe. Estava enojado", disse David Lacks Jnr.

Contribuição

Além da questão financeira, a família de Henrietta lutou pelo reconhecimento da contribuição dela para a ciência e lançou uma campanha.
"Apesar de ter sido uma contribuição involuntária, foi enorme", diz John Burn.
"As células dela têm sido a base para dezenas de milhares de estudos médicos em todo o mundo e em todos os aspectos da ciência biológica. Foi um elemento crucial para o desenvolvimento da ciência biológica do século 20", diz o geneticista.
Como resultado da campanha de sua família, Henrietta Lacks tornou-se uma heroína científica. Mas a família não teve sorte até agora no que diz respeito à compensação.
E em agosto de 2013, a família Lacks foi conquistou o controle parcial sobre o acesso de cientistas para o código de DNA a partir de células de Henrietta Lacks.
Mas o filho mais velho, Lawrence, de 82 anos, afirmou que os parentes ainda não estão satisfeitos e querem uma indenização financeira, além do reconhecimento sobre a contribuição dela para a ciência. Em fevereiro, a família anunciou que deve continuar a batalha na justiça contra o Centro Médico John Hopkins para receber compensações finaceiras sobre as vendas das células.
O centro nega que tenha lucrado com a venda e distribuição da linha celular HeLa.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Joelho pode ser acometido pelos impactos das corridas

Joelho pode ser acometido pelos impactos das corridas



O joelho pode apresentar lesões nos tendões, ossos, cartilagens e gorduras. Além do controle da dor e da inflamação é importante tratar a causa mecânica da lesão. Uma alternativa complementar de tratamento são as palmilhas do tipo Sport. Estas palmilhas são compostas com um material denominado de Plactel®.

Este material possui uma característica física de absorver parte dos impactos e vibrações excessivas que ocorrem no ato de correr. Outra forma de absorver também os impactos está na composição dos calçados específicos para corrida. Cada caso de lesão do joelho é específico e exige diagnóstico e programa de tratamento individual.

No vídeo abaixo você vê as diferenças dos materias das palmilhas da Podaly. Assista!

https://youtu.be/YpijFSEZTdw

domingo, 22 de janeiro de 2017

Menos medicação e mais exercício e espiritualidade contra a depressão

A receita, à primeira vista pouco ortodoxa para um psiquiatra, é do doutor Jorge Jaber, professor de pós-graduação em psiquiatria na PUC-Rio e pós-graduado em dependência química pela Harvard Medical School. Ele celebra a evolução dos medicamentos para os pacientes que usam antipsicóticos (doentes com esquizofrenia ou transtorno bipolar, por exemplo), mas alerta para o preocupante abuso na utilização de diazepínicos – os chamados “tranquilizantes” ou ansiolíticos – que podem vir a deteriorar a saúde mental e física. Ele lembra que dormimos menos com a idade, e exercitar-se pode ser o melhor agente para regularizar o sono, não os remédios que levam à dependência. “Utilizar a medicação não é suficiente”, afirma. “É importante que a pessoa faça exercício, se envolva com atividades de ordem espiritual, ou ligadas à arte, que inclusive se tornaram mais acessíveis aos idosos. Somos o resultado de genética e meio ambiente. Não só isso vai alterar a resposta genética,  Como terá grande influência no sentido de criar um novo estilo de vida”. O doutor Jaber aconselha também as técnicas de meditação, como o mindfulness, método criado para aliviar a ansiedade e o estresse. O objetivo é trazer a atenção para a respiração e as sensações corporais, como tensões musculares ou dores. O foco no que o corpo nos diz é o maior aprendizado na experiência do mindfulness, de forma que consigamos relaxar em qualquer ambiente. “A espiritualidade modifica o prognóstico da doença”, ensina. Na sua opinião, um ponto de atenção é o número crescente de casos de depressão entre as mulheres mais velhas: “É frequente que se sintam sem um papel social definido, porque não têm uma carreira ou uma atividade gratificante. Além disso, os filhos cresceram e muitas se ressentem da falta de uma relação estável. O resultado é que deixam de enxergar possibilidades”. O diagnóstico obedece à observação de uma série de fatores: falta de interesse pelas coisas, problemas de memória, alteração no apetite e no sono (para mais ou para menos) e irritabilidade. Para o doutor Jorge Jaber, não se pode afirmar categoricamente que a envelhecimento está associado à depressão: “o que acontece é que, na maioria dos casos, essa depressão não foi corretamente diagnosticada no primeiro ou no segundo episódio. Depois, esses episódios vão se repetindo e se tornam o padrão na vida do paciente. E mais uma vez eu reforço: o exercício físico produz neurotransmissores que atuam na prevenção da depressão”.

Saiba mais: http://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/menos-medicacao-e-mais-exercicio-e-espiritualidade-contra-depressao.html

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Mídia do nosso trabalho......




                  A maioria dos Centros de Treinamento de Alta Performance estão localizados em unidades de excelência esportiva das Forças Armadas, como o Centro de Capacitação Física do Exército (CCFEx), na Urca. A unidade tem estrutura para receber até 260 atletas com seus alojamentos. Catorze modalidades esportivas, como voleibol, basquete e atletismo, já realizaram treinamentos no Centro, que ganhou aparelhos novos e modernos.

domingo, 23 de outubro de 2016

Visita ao Centre national d'art et de culture Georges-Pompidou

Visita ao Centro Pompidou em Paris






Centre national d'art et de culture Georges-Pompidou é um complexo foi nomeado a partir de Georges Pompidou, o Presidente da França de 1969 até 1974, que encomendou a construção. Nele encontram-se o Musée National d'Art Moderne, a Bibliothèque publique d'information (biblioteca pública de informação), o IRCAM, um centro para música e pesquisas acústicas, entre outros equipamentos culturais.


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Notícia


Uma equipe de pesquisa da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, desenvolveu um material para impressão 3D que produz um implante ósseo sintético que induz rapidamente a regeneração e o crescimento ósseo. Este material “ósseo” hiperelástico, que pode ser facilmente personalizado, poderá ser especialmente útil para o tratamento de defeitos ósseos em crianças.
A cirurgia de implante ósseo nunca é um processo fácil, mas é particularmente dolorosa e complicada para as crianças. Tanto para adultos quanto para crianças, o enxerto ósseo é frequentemente retirado de outras partes do corpo para substituir o osso danificado, o que pode levar a outras complicações e provocar muita dor no paciente. Implantes metálicos são usados ​​às vezes, mas esta não é uma solução permanente para crianças (em crescimento).
"Os adultos têm mais opções quando se trata de implantes", disse a Dra. Ramille Shah, que liderou a pesquisa. "Os pacientes pediátricos não. Se você lhes indicar um implante permanente, você tem que fazer mais cirurgias no futuro à medida que crescem. Eles podem enfrentar anos de dificuldades".
A Dra. Ramille e sua equipe têm como objetivo mudar a natureza dos implantes ósseos, e eles querem sobretudo ajudar os pacientes pediátricos. A Dra. Ramille é professora assistente de ciência dos materiais nas Escolas de Engenharia e de Medicina da Universidade Northwestern.
O novo estudo, avaliando o material com células estaminais humanas e em modelos animais, foi publicado na última semana de setembro pela revista Science Translational Medicine. O Dr. Adam Jakus, que faz pós-doutorado no laboratório da Dra. Ramille Shah, é o primeiro autor da publicação.
O novo biomaterial para impressão 3D produzido pela equipe da Dra. Ramille é uma mistura de hidroxiapatita (um mineral de cálcio encontrada naturalmente no osso humano) e um polímero biocompatível e biodegradável, que é utilizado em muitas aplicações médicas, incluindo suturas. O material “ósseo” hiperelástico produzido mostrou ser promissor em modelos animais in vivo; este sucesso se deve às propriedades únicas da estrutura impressa. O novo biomaterial é hiperelástico, robusto e poroso nos níveis nano, micro e macro.
"A porosidade é fundamental quando se trata de regeneração de tecidos, porque você quer que células e vasos sanguíneos se infiltrem na estrutura", disse a Dra. Ramille Shah. "A nossa estrutura 3D tem diferentes níveis de porosidade, o que é vantajoso para as suas propriedades físicas e biológicas".
A hidroxiapatita induz a regeneração óssea, mas também é um material de difícil manipulação: como uma cerâmica, é um material duro e frágil. O novo biomaterial proposto pelos pesquisadores da Universidade Northwestern, no entanto, é composto por 90 por cento em peso de hidroxiapatita e apenas 10 por cento em peso de polímero, e mantém a sua elasticidade devido à maneira como a sua estrutura é concebida e impressa. A alta concentração de hidroxiapatita cria um ambiente que induz a regeneração óssea rápida.
"As células podem sentir a hidroxiapatita e responder à sua bioatividade", disse a Dra. Ramille. "Quando você coloca as células-tronco nas nossas estruturas, elas se transformam em células ósseas e começam a regular a expressão de genes específicos do osso. Isto é, na ausência de quaisquer outras substâncias osteo-indutoras. É apenas a interação entre as células e o material em si ".
Isso não quer dizer que outras substâncias não possam ser combinadas para a impressão 3D. Uma vez que o processo de impressão 3D é realizado à temperatura ambiente, a equipe de pesquisa foi capaz de incorporar outros elementos, tais como antibióticos, no material.
"Nós podemos incorporar antibióticos para reduzir a possibilidade de infecção após a cirurgia", disse a Dra. Ramille. "Também é possível combinar o material com diferentes tipos de fatores de crescimento, se necessário, para melhorar ainda mais a regeneração. É realmente um material multifuncional".
Uma das maiores vantagens, no entanto, é que o produto final pode ser personalizado para o paciente. Em cirurgias de transplante ósseo tradicionais, o osso - depois que ele é retirado de outra parte do corpo - tem que ser moldado para encaixar exatamente na área onde é necessário. Usando o novo material sintético, é possível digitalizar o volume necessário e produzir a impressão 3D como um produto personalizado para o paciente. Alternativamente, devido às suas propriedades mecânicas, o biomaterial também pode ser facilmente aparado ou cortado para o tamanho e forma necessários durante um procedimento.

Fonte: Megan Fellman e Amanda Morris, Universidade Northwestern.  Imagem: Adam E. Jakus.

domingo, 2 de outubro de 2016

O homem que passou 43 anos em uma cadeira de rodas por um diagnóstico errado

Neurologista identificou miastenia congênita e, após um tratamento com um remédio simples, para asma, ele pode voltar a andar normalmente.

Da BBC

Rufino Borrego tinha 13 anos quando foi diagnosticado com uma distrofia muscular incurável.
Ele passou os 43 anos seguintes andando de cadeira de rodas até que uma neurologista descobriu que a doença que Borrego tinha era, na verdade, diferente do que a que havia sido diagnosticada em sua adolescência.
O problema dele era uma miastenia congênita, doença neuromuscular que causa um defeito na transmissão dos impulsos dos nervos para os músculos - isso gera uma fraqueza incrivelmente rápida dos músculos, que passam a não responder com movimentos.
A doença, porém, foi facilmente revertida com o uso de um medicamento simples, para asma - que era indicado para o real problema do qual sofria. Com isso, ele pode voltar a caminhar normalmente após ter passado 43 anos em uma cadeira de rodas.
"Qualquer situação como essa, em que um médico tem a chance de mudar de verdade a vida dos pacientes, é muito gratificante", disse a neurologista portuguesa Teresinha Evangelista, a responsável por dar o diagnóstico correto a Borrego.
Surpresa
A neurologista Teresinha Evangelista, que atua hoje em dia no Instituto de Medicina Genética da Universidade de Newcastle, na Inglaterra, não culpa os médicos pelo diagnóstico errado de Borrego.
"Era esse o diagnóstico possível naquela época. A miastenia congênita não era conhecida e só foi definida como doença na década de 1970", afirmou.
Ela explica que a doença de Borrego ainda é muito rara e que, por isso, é muito difícil identificá-la se não for um médico já acostumado a ver pacientes com sintomas semelhantes. Teresinha, no caso, estava tratando a irmã de Borrego, que tinha o mesmo problema, só que com menos gravidade.
"Quando ela me contou sobre seu irmão, eu disse na hora que queria vê-lo para uma consulta."
Cerca de 15 duas depois, Borrego foi ao seu consultório. "O quadro clínico era muito característico. Havia muita variação na função motora", explicou a neurologista.
A Miastenia é uma doença caracterizada por essa variação. O paciente não consegue contrair os músculos da maneira devida. "A pessoa pode caminhar por cinco minutos, mas depois tem que parar e descansar. A doença também afeta os músculos respiratórios, mas a fraqueza não é permanente", explica.
A distrofia muscular, por sua vez, inclui uma série de doenças genéticas que causam degeneração progressiva dos músculos esqueléticos e perda do tecido muscular, algo que vai piorando com o tempo.
Genética
"Além da avaliação clínica de Borrego, eu pedi que ele fizesse um teste simples chamado eletromiograma", contou a médica.
O exame que se usa normalmente para identificar doenças neuromusculares consiste, basicamente, em registrar por eletrodos as correntes elétricas que se formam nos nervos e músculos quando eles se contraem.
O teste confirmou as suspeitas de Evangelista: tratava-se mesmo de miastenia, uma doença que afeta a transmissão neuromuscular que, quando tem defeitos, impede a contração muscular normal.
A miastenia, nesse caso, era congênita, e foi fácil descobrir isso porque havia dois irmãos com o mesmo problema.
O passo seguinte foi fazer um teste do material genético para identificar qual gene em específico estava causando o problema. "Mas naquela época, esse teste ainda não estava disponível em Portugal, então pedi a um colega em Munique (Alemanha) para fazer por lá", explicou a neurologista.
Medicamento para asma
"Quando recebi os exames da Alemanha, vi que Borrego tinha uma mutação especificamente no gene chamado Dok-7", disse Evangelista.
"Uma vez identificado o gene, ficou muito mais fácil o tratamento, porque sabíamos que miastesia congênita por uma mutação no Dok-7 pode ser tratada com um medicamento chamado 'salbutamol', explicou.
Esse remédio é tipicamente usado por pessoas que sofrem com problemas de asma em forma de inaladores, mas foi prescrito em pastilhas para Borrego. Pouco depois que ele iniciou o tratamento, já conseguiu voltar a caminhar.
"Na consulta seguinte, ele estava andando de muletas e logo não precisou mais delas."
Pensamos que era um milagre
A recuperação de Borrego foi em 2010, mas só agora ganhou a atenção do público quando o jornal local de Portugal "Jornal de Notícias" falou cobre o caso.
Depois que voltou a andar, o primeiro lugar que Borrego quis visitar era o café que ficava no seu bairro, no povoado de Alandroal, no sudeste de Portugal.
"Pensamos que era um milagre", disse o dono do café, Manuel Melao, ao Jornal de Notícias. O diário relata que agora Borrego é praticamente uma celebridade na cidade.
Hoje, Rufino Borrego tem 61 anos e não guarda qualquer mágoa dos médicos que lhe deram o diagnóstico errado.
"A miastenia era uma doença desconhecida naquela época. Só quero aproveitar a minha vida", diz.
Atualmente, ele consegue andar normalmente e vai apenas duas vezes ao ano fazer sessões de fisioterapia.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Uma em cada dez crianças com HIV é imune à Aids, indica estudo

Na pesquisa, sistema imunológico de algumas crianças simplesmente ignorou presença do vírus no corpo, um mecanismo de defesa semelhante ao de macacos.

James Gallagher - Health and science reporter, BBC News
célula do sistema imune infectada por HIV (Foto: NIAID/NIH)célula do sistema imune infectada por HIV (Foto: NIAID/NIH)
 
Um estudo revelou pela primeira vez que um pequeno grupo de crianças é capaz de desenvolver uma defesa natural à Aids, doença causada pelo vírus HIV.
A pesquisa, feita na África do Sul, analisou 170 crianças infectadas com o HIV que nunca haviam recebido terapia antirretroviral e, mesmo assim, nunca desenvolveram a síndrome devastadora causada pelo vírus.
Os cientistas descobriram que, nelas, o sistema imunológico simplesmente ignorou a presença do vírus no corpo. O estudo foi detalhado na publicação científica "Science Translational Medicine".
A Aids é uma doença que afeta o sistema de defesa do corpo humano. O vírus do HIV ataca (e mata) os glóbulos brancos (células do sangue que combatem as doenças). Conforme eles contra-atacam, tentando combater o HIV, há um sobrecarregamento do sistema imunológico. As células de defesa acabam morrendo por inflamação crônica e o sistema fica vulnerável a qualquer outra doença que acomete a pessoa infectada.
O que aconteceu com as crianças imunes à Aids foi que o sistema imunológico não contra-atacou o HIV - apenas ignorou a presença do vírus.
Evolução do sistema?
Um dos autores da pesquisa, Philip Goulder, pesquisador da Universidade de Oxford, diz que "travar uma guerra contra o vírus geralmente é a coisa errada" do ponto de vista do sistema imunológico. Segundo ele, ao contrário do que pode parecer, não atacar o vírus pode salvar o sistema.
Esse comportamento é similar ao que alguns macacos têm com o vírus da imunodeficiência símia (SIV). Nesses animais, as estratégias de adaptação à infecção pelo vírus já evoluíram durante centenas de milhares de anos.
"A seleção natural trabalhou nesses casos, e o mecanismo é muito similar ao que tem acontecido nessas crianças que não desenvolvem a doença", disse Goulder.
Uma infecção por HIV não tratada na infância mataria 60% das crianças afetadas em dois anos e meio. Mas o estudo pode ajudar a desenvolver novas terapias de imunidade para a infecção do vírus.
"Uma das coisas que fica de lição é que a Aids não tem tanto a ver só com o HIV, mas principalmente com a forma como o sistema imunológico responde a ele", explicou Goulder.
Para Goulder, as descobertas podem ajudar a encontrar formas de reequilibrar o sistema imunológico em todos os pacientes com HIV.
"Nós podemos identificar, com isso, um novo caminho que a longo prazo pode significar novas formas de tratamento para todos os pacientes infectados com o HIV."
Vantagens para as crianças
Esse tipo de defesa contra a Aids é quase exclusivo das crianças. O sistema imunológico dos adultos tende a atacar o vírus com toda força.
As crianças têm um sistema imunológico mais "tolerante" que, conforme vai "amadurecendo", vai se tornando mais agressivo. Por isso é que a catapora, por exemplo, tem efeitos muito mais severos em adultos do que em crianças: a diferença é a forma como o sistema reage a ela.
Mas isso também significa que, conforme a criança cresce, seu sistema imunológico também se torna "adulto" e ela tem mais riscos de desenvolver a Aids.
As pessoas que têm HIV podem ter uma expecativa de vida normal se fizerem uso de remédios antiretrovirais. Mas o sistema imunológico delas nunva volta ao normal e elas enfrentam riscos maiores de doenças cardiovasculares, câncer ou demência.