sábado, 24 de junho de 2017

Muito cuidado quando considerar apenas a relevância estatística nos estudos.

        A Revista científica Nature lança um artigo nesse mês acerca de um dos assuntos mais preocupantes nas últimas décadas: o crescimento absurdo da valoração do "p-value" nas pesquisas científicas. A distância entre a significância estatística e a relevância clínica tem se tornado um abismo de proporções cada vez maiores. O assunto é tão preocupante que a ASA - American Statistical Association, em 177 anos de fundação, se posiciona pela primeira vez com preocupação acerca de assunto estatístico. O ASA aconselha os pesquisadores a evitar tirar conclusões científicas ou tomar decisões com base em valores de P isoladamente. Os pesquisadores devem descrever não apenas as análises dos dados que produziram os resultados estatisticamente significativos, diz a sociedade, mas todos os testes estatísticos e as escolhas feitas nos cálculos. Caso contrário, os resultados podem parecer falsamente robustos.

        Os valores de P são comumente utilizados para testar (e descartar) uma 'hipótese nula ", que geralmente indica que não existe uma diferença entre dois grupos, ou que não há nenhuma correlação entre um par de características. Quanto menor o valor de P, menor a probabilidade de um conjunto observado de valores ocorrer por acaso - assumindo que a hipótese nula é verdadeira. Um valor P de 0,05 ou menos é geralmente entendido no sentido de que a declaração é estatisticamente significativa e justifica a publicação. Mas isso não é necessariamente verdade, segundo a ASA.

      Um valor P de 0,05, não significa que existe uma possibilidade de 95% que uma dada hipótese é correta. Em vez disso, significa que, se a hipótese nula é verdadeira, e todas as outras suposições feitas são válidas, há uma chance de 5% de obter um resultado pelo menos tão extremo quanto o observado. E um valor de P não pode indicar a importância de um achado; por exemplo, um fármaco pode ter um efeito estatisticamente significativo nos níveis de glicose no sangue do paciente sem ter um efeito terapêutico.

      Andrew Vickers, um bioestatístico do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Nova York, alerta: os pesquisadores devem ser instruídos a "tratar as estatísticas como uma ciência, e não uma receita".

       Portanto, muito cuidado quando considerar apenas a relevância estatística nos estudos.

http://www.nature.com/news/statisticians-issue-warning-over-misuse-of-p-values-1.19503



      Tamanhos do efeito do treinamento de força, por exemplo:

O American Statistical Association (ASA) aconselha os pesquisadores a evitar tirar conclusões científicas ou tomar decisões somente com base em valores de P isoladamente, recomendando aos pesquisadores descrever não apenas as análises dos dados que produziram os resultados estatisticamente significativos, mas também testes estatísticos que possam dar uma melhor compreensão dos resultados (BAKER, 2016). Em nosso estudo trabalhamos em conjunto com os valores P e com a designação do Tamanho do Efeito (TE), utilizando a equação proposta por RHEA, (2004) para estudos relacionados à treinamento de força. Comparando nossos resultados com os valores propostos para indivíduos destreinados em treinamento de força, distribuídos nas seguintes faixas de TE: trivial <0.5; pequeno >0.5<1.20; moderado >1.20<2.0 e grande >2.0.
Sendo imperativo que os pesquisadores calculem e relatem alguma medida do efeito do tratamento na pesquisa de treinamento de força. Com a escala fornecida, também é possível determinar a magnitude relativa dos TE´s calculados em relação a outras pesquisas de treinamento de força. O objetivo principal da pesquisa de treinamento de força deve ser determinar a magnitude de um efeito de tratamento, ao invés de apenas a reprodutibilidade, dos resultados de um estudo. Com a estatística de tamanho do efeito e a escala fornecida, os pesquisadores podem fornecer mais Informações práticas e aplicáveis ao profissional de força e condicionamento (RHEA, 2004)

     

O American Statistical Association (ASA) aconselha os pesquisadores a evitar tirar conclusões científicas ou tomar decisões somente com base em valores de P isoladamente, recomendando aos pesquisadores descrever não apenas as análises dos dados que produziram os resultados estatisticamente significativos, mas também testes estatísticos que possam dar uma melhor compreensão dos resultados (BAKER, 2016). Em nosso estudo trabalhamos em conjunto com os valores P e com a designação do Tamanho do Efeito (TE), utilizando a equação proposta por RHEA, (2004) para estudos relacionados à treinamento de força. Comparando nossos resultados com os valores propostos para indivíduos destreinados em treinamento de força, distribuídos nas seguintes faixas de TE: trivial <0.5; pequeno >0.5<1.20; moderado >1.20<2.0 e grande >2.0.
Sendo imperativo que os pesquisadores calculem e relatem alguma medida do efeito do tratamento na pesquisa de treinamento de força. Com a escala fornecida, também é possível determinar a magnitude relativa dos TE´s calculados em relação a outras pesquisas de treinamento de força. O objetivo principal da pesquisa de treinamento de força deve ser determinar a magnitude de um efeito de tratamento, ao invés de apenas a reprodutibilidade, dos resultados de um estudo. Com a estatística de tamanho do efeito e a escala fornecida, os pesquisadores podem fornecer mais Informações práticas e aplicáveis ao profissional de força e condicionamento (RHEA, 2004)

Simpósio de trauma do esporte - INTO

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terça-feira, 23 de maio de 2017

Prática Baseada em Evidências - Sensibilidade e acurácia

     Certamente você conhece termos como sensibilidade, especificidade, acurácia, etc. Entretanto, muitas vezes ficamos perdidos sobre o que significa exatamente a função de cada um desses parâmetros. Esperamos que após a leitura deste texto você nunca mais esqueça os fundamentos que determinam a precisão dos testes diagnósticos, seja um exame de imagem ou resultado laboratorial ou até mesmo um achado de exame físico ou relato na anamnese do paciente.

      Para fins didáticos, um teste positivo aumenta a probabilidade do diagnóstico esperado e um teste negativo reduz. Isto é a regra que usaremos de agora em diante e na maioria das situações reais, mas existem exceções, ou seja, momentos em que um teste negativo reforça a hipótese diagnóstica.
     Vamos montar um exemplo com uma tabela que discrimina os pacientes entre saudáveis ou doentes e também entre aqueles em que o teste foi positivo ou negativo.


Doentes Saudáveis
Teste positivo 22 (a) 3 (b) 25 (a+b)
Teste negativo 20 (c) 55 (d) 75 (c+d)

42 (a+c) 58 (b+d)

      Isto é uma tabela de contingência, uma ferramenta usada para se calcular a sensibilidade e a especificidade do nosso exame.
       O exame pode dar diversos resultados, corretos ou não. São eles:
  • Verdadeiro positivo (o teste é positivo em pacientes doentes)
  • Verdadeiro negativo (o teste é negativo em paciente saudáveis)
  • Falso positivo (o teste é positivo em pacientes saudáveis)
  • Falso negativo (o teste é negativo em pacientes doentes)
      Vale lembrar que nesse tipo de situação, determina-se quem são os pacientes saudáveis ou doentes através de um outro exame, já conhecido e utilizado amplamente. Este exame é o padrão-ouro, ou seja, é o teste considerado mais preciso no diagnóstico da doença, por isso ele será a referência para comparação.
      A sensibilidade é a capacidade do exame detectar doença em pacientes doentes, ou seja, a razão entre teste positivos em pacientes doentes e a totalidade dos pacientes doentes (a/a+c). Neste caso, 22/42 = 52%.
      Já a especificidade é a capacidade do exame afastar doença em pacientes saudáveis, ou seja, a razão entre testes negativos em pacientes saudáveis e a totalidade dos pacientes saudáveis (d/b+d). Nesta situação, 55/58 = 95%.
      Mas afinal, pra que serve a sensibilidade e a especificidade dos exames? Muito simples. Um teste altamente sensível raramente não detecta doença, logo uma alta sensibilidade é útil nos exames de rastreio, pois assim dificilmente deixaremos de cuidar de um paciente com doença insidiosa. Um teste negativo praticamente afasta a hipótese de doença.
     Já nos testes específicos ocorre o contrário, ou seja, dificilmente um paciente saudável terá um teste positivo, logo usamos este tipo de exame na confirmação de um diagnóstico. Um teste positivo nos dá quase certeza de doença.
     Na vida real existe um trade-off desses parâmetros. Um teste altamente sensível é pouco específico e vice-versa. É praticamente impossível ter um teste perfeito, com sensibilidade e especificidade próximos de 100%, por isso geralmente usa-se primeiro um exame sensível (afim de não “deixar escapar” qualquer chance de doença) e posteriormente lança-se mão de um teste específico (afim afastar outras hipóteses e determinar o diagnóstico preciso).


segunda-feira, 22 de maio de 2017

Nova diretriz de prática clínica para tratamento não-cirúrgico da dor cervical aguda/subaguda com ou sem radiculopatia.



Nova diretriz de prática clínica para tratamento não-cirúrgico da dor cervical aguda/subaguda com ou sem radiculopatia.




Considerações: existem zero estudos randomizados para pacientes com radiculopatia aguda/subaguda. Existe uma revisão sistemática para exercícios de preferência direcional para dor cervical (http://www.sciencedirect.com/…/article/pii/S1836955314000459) que incluiu 5 estudos randomizaods envolvendo pacientes com dor cervical, sendo 2 deles conduzidos em pacientes com lesão por chicote - prognóstico totalmente diferente e uma condição sabidamente de difícil manejo.
Essa diretriz precisa ser lida por todos aqueles que tem ranço com a PBE. Aqui, na ausência de evidência que responda especificamente a uma pergunta, vale o julgamento clínico e o consenso. Utilizem esta informação para compreender a relevância da clínica na formação do conhecimento científico, e não para confirmar vossos viéses e preferências pessoais por tratamento A, B ou C.
 

Pensamento da semana


O fisioterapeuta precisa ser um agente modificador de comportamentos mais do que um "curador" de sintomas. 

sexta-feira, 17 de março de 2017



'É quase uma prisão', diz mãe de Ismail, de 4 anos, sobre tratamento para síndrome de Crigler-Najjar, que afeta uma pessoa a cada 1 milhão de nascimentos.

Com apenas 4 anos de idade, Ismail Ali mal pode ver a luz do sol todos os dias. O menino sofre de uma doença raríssima – a síndrome de Crigler-Najjar -, uma condição genética caracterizada pela incapacidade do corpo de converter e eliminar do sangue a bilirrubina, provocando o seu aumento e, consequentemente uma forma de icterícia.
Bilirrubina é um pigmento biliar derivado da degeneração natural de glóbulos vermelhos. O aumento de sua concentração no sangue pode levar ao acúmulo de toxinas que, segundo os médicos, pode provocar surdez, danos cerebrais ou falência dos órgãos.
Para tratar a condição, Ismail passa 20 horas de seu dia sob luz ultravioleta - ele brinca, come e dorme dentro do quarto, sob os efeitos da luz.
“Ele é muito ativo, adora correr para lá e para cá, pular. Mas o problema é que ele tem que ficar na cama fototerápica médica. Então ele odeia”, contou a mãe, Shahzia.
“Especialmente porque tem uma irmã de 7 anos, ele só queria correr e brincar com ela, como uma criança normal de 4 anos. Isso é quase como uma prisão para ele.” 
A doença de Ismail é muito rara, com registros de um caso em um milhão de nascimentos. A mãe explica que o corpo do filho não produz a enzima necessária para “quebrar” a bilirrubina em seu sangue. 
A fototerapia é um procedimento em que a criança é colocada sob uma luz azul fluorescente que age quebrando a molécula de bilirrubina e facilitando a sua eliminação pela urina e pelas fezes. Assim, o corpo consegue reduzir seus níveis. No entanto, quanto mais velha a criança fica, menor é a eficácia do tratamento.
Segundo a ONG americana Nord, dedicada a melhorar a vida de de pacientes com doenças raras, a única cura definitiva para a síndrome de Crigler-Najjar seria um transplante de fígado.
A família tem tentado melhorar sua qualidade de vida o máximo possível. Um amigo lançou uma campanha para arrecadar dinheiro que permita a contratação de uma cuidadora em tempo integral para ajudar os pais.

 Doença de Ismail é muito rara, com registros de um caso em um milhão de nascimentos (Foto: BBC)Fonte: BBC